Quentin Tarantino - Trabalho realizado por Pedro Henriques

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"Les Glaneurs et La Glaneuse" de Agnès Varda

Os "Les Glaneurs et La Glaneuse" de Agnès Varda é um olhar sobre a persistência na sociedade contemporânea dos respigadores, aqueles que vivem da recuperação das coisas que os outros não querem ou deixam para trás. A respigadora, nesse sentido, é Agnès Varda, pois viaja pela França com a sua câmara e "recupera" imagens que os outros não querem fazer ou ver e portanto deixam para trás. É no sentido mais radical, trata-se de mostrar que, de uma maneira ou de outra, todos somos respigadores da nossa própria existência, das suas matérias e as suas utopias.

Manoel de Oliveira

Manoel de Oliveira é hoje em dia o cineasta "activo" mais idoso do mundo. Ele teve um interesse pelo cinema aos 16 anos, como actor, mas depressa se interessou pela realização. O cineasta do Regime, António Lopes Ribeiro descobre Manuel de Oliveira e dá-lhe a oportunidade de realizar o seu primeiro filme, “Douro, Faina Fluvial” (1930) que mostra a vida nas margens do Douro ao vivo sem disfarces. Em 1933 participa no filme de Cottinelli Telmo "A Canção de Lisboa" contracenado com Beatriz Costa, Vasco Santana e António Silva.

Em 1942 António Lopes Ribeiro dá-lhe nova oportunidade para realizar Aniki-Bóbó, seu primeiro filme de enredo, criticado em Portugal, embora alguns o defendessem, bem recebido no estrangeiro. Acaba por se afastar do cinema mas volta em 1956 com "O Pintor e a Cidade", filme bem recebido em Portugal e em festivais internacionais, contrariando a crise que se vivia no cinema.

Filmografia:

  • Douro, Faina Fluvial, 1930
  • Aniki-Bóbó, 1942
  • O Pintor e a Cidade, 1942
  • O Acto da Primavera, 1963
  • A Caça, 1964
  • As pinturas do meu irmão Júlio, 1965
  • O Passado e o Presente, 1972
  • Benilde ou Virgem Maria, 1975
  • Amor de Perdição, 1979
  • Francisca, 1981
  • O Sapato de Cetim, 1985
  • Os Canibais, 1988
  • A Divina Comédia, 1991
  • O vale de Abrãao, 1995
  • O Quinto Império - Ontem com hoje, 2004
  • Cristóvão Colombo - O Enigma, 2007
  • Romance de Vila do Conde, 2007
  • Singularidades de uma Rapariga Loura, 2009

Playlist Manoel de Oliveira

Anos 90

No princípio dos anos 90 destacam-se os ex-alunos da escola de cinema, como:
  • Pedro Costa ("Sangue" em 1990, influenciado por Paulo Rocha)
  •  Joaquim Pinto ("Uma pedra no bolso" em 1988)
  •  Joaquim Leitão ("De uma vez por todas")
  •  José Nascimento ("Repórter X" em 1997, primeiro filme que cita os Anos 20)
  • Fonseca e Costa ("Crónica dos Bons Malandros")
  • Entretanto surge Teresa Vilaverde Cabral com "A idade maior", recriando a guerra colonial a partir do olhar de uma criança. Este filme vive muito dos actores: Maria de Mediros e Joaquim de Almeida

25 de Abril e Anos 80

Por altura do 25 de Abril não havia grande preocupação em fazer ficção, contar histórias, mas sim havia interesse em filmar as ruas, a sociedade, mostrando a realidade tal com era. Há um especial destaque para "Deus, Pátria e Autoridade" de Rui Simões. Outros exemplos de filmes desta altura são
  •  "Trás - os - Montes", com Margarida Cordeiro e António Reis ( retratando a região pobre do país)
  • "Amor de Perdição" (1978) de Manoel de Oliveira ( filme que recebeu críticas e reacções explosivas; decidiu-se apresentar em 6 episódios na televisão, mas resultado foi ainda pior; não encara o cinema de um modo convencional, mas sim como teatro)
  •  "Veredas" (1978) de João César Monteiro ( uma peregrinação pelos contos tradicionais portugueses)
  • "Passagem ou meio caminho" de João Silva Melo ( com Diogo Dória e Luís Lucas, dois dos mais interessantes actores dos anos 80)
  • "Silvestre" de João César Monteiro ( filme que viu muito da pintura em termos de imagem)
  • "Francisca" (1981) de Manoel de Oliveira ( último de 4 filmes sobre amores falhados)
Por esta altura o cinema português vivia no caos, no meio de um duelo constante entre o cinema de autor e cinema comercial. Em 1982 o Instituto Português de Cinema (IPC) pára os planos de produção. Eventualmente, a direcção do IPC aposta no cinema de autor, contando com o comercial. Este tipo de orientação veio dar origem à "Escola Portuguesa".

  • "Ana", últimos dias da mãe de Margarida Cordeiro
  • "A ilha dos amores", de Paulo Rocha (onde observamos a união do imaginário Oriental e interpretações notáveis de Luís Miguel Sintra e Paulo Rocha mas é só em 1991 este filme teve pleno êxito devido à "Operação Paulo Rocha", uma retrospectiva dos seus filmes)
  • "Sem sombra de pecado", de  Fonseca e Costa, com Mário Viegas
  • "Lugar do morto", de António Pedro Vasconcelos, com Ana Zanatti
No início dos anos 80 renasce o conceito de produtor, com Paulo Branco. Eventualmente centra-se na carreira de Manoel de Oliveira, dando-lhe excelentes condições para filmar um filme todos os anos. Podemos destacar o "Sapato de Cetim" com 7horas de duração.

"Dom Ernesto", "Os Verdes Anos" e o Cinema Novo

Na realização de "Dom Ernesto" e "Os Verdes Anos" sentia-se uma revolta contra o regime. O filme "Dom Ernesto" contava a história de um vagabundo que criava fantoches e esta história sucitava um sentimento de revolta. Foi um filme que trouxe grande entusiasmo aos cineclubes pois tratava-se de algo novo.
Outro fruto desta geração trata-se de "Os Verdes Anos" de Paulo Rocha, considerado o grande filme do cinema novo, contando com colaboradores como Nuno Bragança, entre outros. Outra novidade deste filme foi a estreia de Isabel Ruth. É um filme que trata sobre a tragédia, fatalidade e tristeza.
Em 1964, Fernando Lopes realiza "Belarmino", outro exemplo do Cinema Novo português. Este filme trata sobre a decadência de um verdadeiro Boxeur e não se utiliza um actor e carateriza-se pela voz-off. Outro exemplo de Paulo Rocha é "Mudar de vida" e trata o tema da emigração, sendo o primeiro filme em Portugal que tira partido do cinema e cultura japonesa.
Em 1969 é criado o Centro Português de Cinema com ajuda da Fundação Calouste Gulbenkian e tem como objectivo de ajudar na criação de filmes da nova geração.


Anos 50

Nos anos 50 há uma crise no cinema português, pois vários filmes são censurados, mas também começam a surgir os cineclubes. É criado também um fundo para financiar filmes portugueses e em 1955 surge a RTP (Rádio Televisão Portuguesa) com objectivo de relembrar os antigos clássicos.
Uma excepção a esta crise cinematográfica foi "O pintor e a cidade" de Manoel de Oliveira, sendo até muito bem recebido em festivais internacionais.